sábado, 20 de julho de 2013

Clichê

Deito na cama depois de uma conversa com uma amiga, e o assunto é sobre o amor.
Penso, ligo o celular e começo a escrever pra inspiração não fugir com outros assuntos e sonhos.
Pausa: café e cigarro.
Retorno: e penso no que disse a ela 'estou bem como nunca me senti'
Estou até, mas falta algo, falta o coração pra preencher.
Não amar ninguém, não sentir vontade de estar com ninguém. Isso é normal? não sentir suspiros demasiados, cheiro de pele que me embriagaria mesmo estando na mais saudável das formas etilicas?
É saudável sentir nada, não admirar ninguém e mesmo assim não conseguir dormir bem a noite?
Não devo, nunca matei nem roubei e mesmo assim o sono demorar a vir, fumo uns quinhentos cigarros (mentira, até do cigarro tenho enjoado)
Estou bem, mas tenho a sensação de que falta um pedaço.
Não tem nada a ver com a mesquinhez do meu último relacionamento fadado ao fracasso desde o dia que começou.
Juro que pra estar bem eu espero de verdade que esse ser seja feliz, na puta que pariu mas que seja feliz.
E se não é por isso, porque a sensação de sempre faltar algo?
As vezes o ser humano precisa dos motivos mais clichês pra viver, pra se sentir de carne e osso. Uma necessidade de se mostrar bem, papo cabeça, cheio de idéias, cheios de sorrisos vazios, cheios de vazio, cheio de palavras ensaiadas pra nada.
Para NADA o mesmo nada que ando sentindo, sem pele, sem olhares e também sem clichês.
Sendo assim nessa lógica, eu sinto o certo? O não sentir vontade de ser clichê?
Pause: café, cigarros e pensamentos.